Design custa caro! Pra quem?!

Março 28, 2008

por Rodrigo Luz

O Design procura investigar e estabelecer relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e econômicas. Dessa maneira o desenvolvimento de um produto decompõe-se em conceito ou idéia, funcionalidade, ergonomia, harmonia e adaptação das políticas econômicas e empresariais gerando expectativas. Essas expectativas advêm de necessidades, as quais Abraham Maslow denomina comportamentos motivacionais.

Partindo do pressuposto que a motivação é o resultado dos estímulos que agem com força sobre as pessoas, levando-as a uma ação e para que esta exista é necessário que um estímulo seja experimentado proveniente de referências parametrizadas de sua vida social subjetivadas do âmbito cultural, educacional e organizacional. Esta teoria nos remete ao Ciclo Motivacional.

Quando este ciclo não se realiza, sobrevém a frustração desencadeada por comportamentos incoerentes e muitas vezes hostil dando vazão à insatisfação contida, nervosismo, insegurança e, dentre outras, resistência às modificações.

A necessidade não sendo satisfeita e não sobrevindo as situações prescritas nas situações ora mencionadas, não significa que o indivíduo permanecerá eternamente frustrado, de alguma maneira a necessidade será transferida ou compensada. Daí percebe-se que a motivação é um estado cíclico e constante na vida pessoal.

O designer é o profissional multidisciplinar e estratégico que tem sensibilidade para distinguir as necessidades implícitas, ou seja, as reais muitas vezes não declaradas, das explícitas, ou seja, aquelas as quais as pessoas muitas vezes acham que necessitam.

O produto ideal soluta quando as variantes do processo de desenvolvimento são equivalentes a sua necessidade explícita e implícita. Uma das variantes do processo de desenvolvimento é a percepção de uso do produto resultante das referências pessoais permeadas na cognição.

Partindo do princípio que percepção é a aplicação cuidadosa da mente a alguma coisa ou função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas e referências ou trâmites pelo qual um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais no sentido de arrogar significado ao seu meio. O estudo da percepção é de extrema importância para o designer já que o comportamento das pessoas é baseado na interpretação que fazem da realidade e não sobre a própria realidade. Por este motivo, a percepção é subjetiva, cada pessoa percebe um objeto ou uma situação de acordo com os aspectos que têm especial importância para si própria. A experiência passada fornece a compreensão metonímia. Se tivermos visto a forma inteira de um elemento e depois visualizarmos somente uma parte dele reproduziremos esta forma inteira na memória.

Propõe a teoria da Gestalt que o cérebro humano tende automaticamente a desmembrar a imagem em diferentes partes organizando-as de acordo com a semelhança da forma, tamanho, cor, textura, dentre outras características que por sua vez serão reagrupadas de modo a formar um conjunto gráfico que possibilite a compreensão do significado exposto.
Cabe aos designers estimular direcionando o seu produto para grupos de pessoas com referenciais equivalentes, precavendo-se que não se pode ter conhecimento do todo através das partes, e sim das partes através do todo e que só através da percepção da totalidade é que o cérebro pode de fato perceber, decodificar e assimilar uma imagem ou conceito.

É válido salientar que percepcionamos mais facilmente as formas simples, regulares, simétricas e equilibradas; e a constância perceptiva que se traduz na estabilidade da percepção (os seres humanos possuem uma resistência acentuada à mudança). Em relação à percepção da profundidade sabe-se que esta advém da interação de fatores orgânicos (características do nosso corpo) com fatores ambientais (características do meio ambiente).

O designer busca a satisfação do consumidor e do investidor do projeto, sendo este profissional o mentor intelectual do desenvolvimento. Um bom projeto é promovido pelo baixo custo de produção e aproveitamento de matéria prima, materiais alternativos e elevada satisfação encontrada nos conceitos impregnados percebidos cognitivamente por parte do público-alvo tendo como parâmetros as suas experiências e referências, a funcionalidade presente em suas interfaces culminadas na harmonia e aplicação correta dos mecanismos de funcionamento e seus elementos orgânicos.

A análise metodológica de um produto ou a necessidade de projetá-lo é sistematizar a tarefa de designar. Está análise parte da busca da necessidade do homem. A resolução da problemática em si é o próprio ato de projetar, contudo o design é uma ferramenta estratégica a qual terá o investidor a certeza do sucesso de seu empreendimento pressupondo que terá o profissional competente para direcionar a sua oferta a demanda correlata.

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