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Design Social, Utopia?

por Rodrigo Luz

O presente texto integra parte inicial de um trabalho de pesquisa sobre as necessidades implícitas e explícitas de consumidores insatisfeitos com produtos que não agregam funcionalidade no que tange a usabilidade por conta de limitações estruturais e ergonômicas geralmente não condizentes com a especialidade desse público em questão.

Possui como principal objetivo discorrer sobre o tema proposto, design social, conscientizando o designer de sua responsabilidade como gerador de atividade intelectual.

Muito embora pareça filantropia, desde já conceituo que esta vertente teórica busca incorporar as necessidades da sociedade, o crescimento da consciência sócio-ambiental e o planejamento e desenvolvimento sistemático dos projetos de produtos, tendo como parâmetro o processo industrial e a satisfação do homem.

Analisar metodologicamente um produto ou a necessidade de projetá-lo é sistematizar a tarefa de designar. Está análise parte da busca da necessidade do homem. A resolução da problemática em si é o próprio ato de projetar.

Alguns fatores como segurança, comportamento social, política, semiótica, ou seja, análise das relações entre uma “coisa” e seu significado, persuasão, acessibilidade influenciam o designer no desenvolvimento metodológico de seus produtos.

Durante o processo criativo, frequentemente distinguem-se a percepção[1] do problema, sendo este o primeiro passo no processo criativo que envolve o desafio, a teorização do problema. Depois da observação do problema, o passo seguinte é convertê-lo em um modelo mental, considerar propostas viáveis a resolução sendo este, caracterizado geralmente pelo súbito insight da solução, após o estudo exaustivo do problema, e finalmente, a produção da solução, última fase, na qual consiste em converter a idéia mental em idéia prática.

Design em si é uma atividade intelectual e não apenas um serviço executado para empresas.

“Pense mais, projete menos.”

Ellen Lupton, escritora e designer americana.

O critério criativo para produtos resultantes de atividades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, é a patente, cujos pré-requisitos são: Novidade, inventividade e aplicação prática.

Ao abordarmos o design social ou inclusivo como foco de estudo, estamos necessariamente buscando soluções para problemas relevantes ao público marginal, ou seja, aquele que necessita de produtos adequados à sua especialidade.

Quando as anomalias de um nascimento, os efeitos de uma doença ou os resultados de um acidente criam uma condição cognitiva ou física, tradicionalmente conhecida como deficiência, combinados com nossos desafios diários, nossa qualidade de vida, autonomia e independência, nós nos tornamos incapazes por causa do design.”

Patricia Moore[2] em citação que relata o projeto de produtos exclusivos.

Os designers são responsáveis pelo desenvolvimento de características de qualquer produto que considere e respeite as capacidades gerais e individuais humanas em um contexto razoável de uso.

Design social não é utopia, é uma realidade gritante e latente presente no cotidiano. A demanda é crescente e necessitada, esperando com sofreguidão produtos que possam saciar os seus desejos de consumidores. No que afirma Gui Bonsiepe, 1992: “O design é o domínio no qual se estrutura a interação entre usuário e produto, para facilitar ações efetivas. Design industrial é essencialmente design de interfaces”.

Toda solução advém de um problema, e este sempre possui um soluto, mesmo que dure tempo suficiente para conceber outros produtos derivados desta investigação extenuante.


[1] Percepção é a aplicação cuidadosa da mente a alguma coisa. Função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas, referências ou seja, processo pelo qual um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais no sentido de atribuir significado ao seu meio.

[2] Patrícia Moore – Presidente da Moore Design Associates e considerada uma das fundadoras da metodologia de design universal.

1 comment Abril 20, 2008

Premiações

Vale recordar uma das melhores equipes com quem já trabalhei. Neste ano de 2002 ganhamos para a Consultec o Top of Mind com o case “Abrindo a caixa preta do Vestibular”.

top1.jpg

Outro prêmio Inesquecível – I Painel de Design da Faculdade da Cidade – foi um desafio lançado a turma de design de produtos do quinto semestre de 2006.2, no intuito de responder ao tema do Semestre (design social) e a disciplina (sistemas mecânicos II), desenvolver um sistema de ventilação com sucatas, movido a força motora humana.

premio2.jpg

Add comment Abril 1, 2008

Design custa caro! Pra quem?!

por Rodrigo Luz

O Design procura investigar e estabelecer relações estruturais, organizacionais, funcionais, expressivas e econômicas. Dessa maneira o desenvolvimento de um produto decompõe-se em conceito ou idéia, funcionalidade, ergonomia, harmonia e adaptação das políticas econômicas e empresariais gerando expectativas. Essas expectativas advêm de necessidades, as quais Abraham Maslow denomina comportamentos motivacionais.

Partindo do pressuposto que a motivação é o resultado dos estímulos que agem com força sobre as pessoas, levando-as a uma ação e para que esta exista é necessário que um estímulo seja experimentado proveniente de referências parametrizadas de sua vida social subjetivadas do âmbito cultural, educacional e organizacional. Esta teoria nos remete ao Ciclo Motivacional.

Quando este ciclo não se realiza, sobrevém a frustração desencadeada por comportamentos incoerentes e muitas vezes hostil dando vazão à insatisfação contida, nervosismo, insegurança e, dentre outras, resistência às modificações.

A necessidade não sendo satisfeita e não sobrevindo as situações prescritas nas situações ora mencionadas, não significa que o indivíduo permanecerá eternamente frustrado, de alguma maneira a necessidade será transferida ou compensada. Daí percebe-se que a motivação é um estado cíclico e constante na vida pessoal.

O designer é o profissional multidisciplinar e estratégico que tem sensibilidade para distinguir as necessidades implícitas, ou seja, as reais muitas vezes não declaradas, das explícitas, ou seja, aquelas as quais as pessoas muitas vezes acham que necessitam.

O produto ideal soluta quando as variantes do processo de desenvolvimento são equivalentes a sua necessidade explícita e implícita. Uma das variantes do processo de desenvolvimento é a percepção de uso do produto resultante das referências pessoais permeadas na cognição.

Partindo do princípio que percepção é a aplicação cuidadosa da mente a alguma coisa ou função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir de histórico de vivências passadas e referências ou trâmites pelo qual um indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais no sentido de arrogar significado ao seu meio. O estudo da percepção é de extrema importância para o designer já que o comportamento das pessoas é baseado na interpretação que fazem da realidade e não sobre a própria realidade. Por este motivo, a percepção é subjetiva, cada pessoa percebe um objeto ou uma situação de acordo com os aspectos que têm especial importância para si própria. A experiência passada fornece a compreensão metonímia. Se tivermos visto a forma inteira de um elemento e depois visualizarmos somente uma parte dele reproduziremos esta forma inteira na memória.

Propõe a teoria da Gestalt que o cérebro humano tende automaticamente a desmembrar a imagem em diferentes partes organizando-as de acordo com a semelhança da forma, tamanho, cor, textura, dentre outras características que por sua vez serão reagrupadas de modo a formar um conjunto gráfico que possibilite a compreensão do significado exposto.
Cabe aos designers estimular direcionando o seu produto para grupos de pessoas com referenciais equivalentes, precavendo-se que não se pode ter conhecimento do todo através das partes, e sim das partes através do todo e que só através da percepção da totalidade é que o cérebro pode de fato perceber, decodificar e assimilar uma imagem ou conceito.

É válido salientar que percepcionamos mais facilmente as formas simples, regulares, simétricas e equilibradas; e a constância perceptiva que se traduz na estabilidade da percepção (os seres humanos possuem uma resistência acentuada à mudança). Em relação à percepção da profundidade sabe-se que esta advém da interação de fatores orgânicos (características do nosso corpo) com fatores ambientais (características do meio ambiente).

O designer busca a satisfação do consumidor e do investidor do projeto, sendo este profissional o mentor intelectual do desenvolvimento. Um bom projeto é promovido pelo baixo custo de produção e aproveitamento de matéria prima, materiais alternativos e elevada satisfação encontrada nos conceitos impregnados percebidos cognitivamente por parte do público-alvo tendo como parâmetros as suas experiências e referências, a funcionalidade presente em suas interfaces culminadas na harmonia e aplicação correta dos mecanismos de funcionamento e seus elementos orgânicos.

A análise metodológica de um produto ou a necessidade de projetá-lo é sistematizar a tarefa de designar. Está análise parte da busca da necessidade do homem. A resolução da problemática em si é o próprio ato de projetar, contudo o design é uma ferramenta estratégica a qual terá o investidor a certeza do sucesso de seu empreendimento pressupondo que terá o profissional competente para direcionar a sua oferta a demanda correlata.

Add comment Março 28, 2008

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